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INTRODUÇÃO

A PNL foi desenvolvida por Richard Bandler e John Grinder a partir do trabalho de Modelagem dos padrões terapêuticos utilizados por Fritz Pearls, Virginia satir e Milton H. Erickson, três dos maiores psicoterapeutas deste século e posteriormente de educadores, vendedores e outros profissionais que mostravam excelência em suas áreas de atuação.

 

 

PROGRAMAÇÃO NEUROLINGÜíSTICA

" PNL é o estudo de como o cérebro humano processa informações, como construimos nossa realidade à partir desse processo e como podemos modificá-lo a fim de obtermos resultados desejados "

A PNL dá ênfase ao processo, ao "como é produzido" determinado resultado.

O termo Programação pode ser compreendido aqui como a implementação de uma estratégia ou grupo de procedimentos para obter-se determinado resultado.

Neuro corresponde à maneira pela qual utilizamos nosso sistema nervoso para perceber e representar nossas experiências.

A Lingüística corresponde ao modo pelo qual utilizamos a linguagem para expressar, interna e externamente nossa realidade; memórias, sentimentos, etc.

A Programação Neurolingüística é o estudo e utilização da linguagem da mente humana, de como nosso cérebro processa informação, uma linguagem universal e idiossincrática que nos permite aprender a aprender utilizando nossos recursos neurológicos (cérebro, orgãos do sentido).

Este, relativamente, novo modelo não é " apenas " uma abordagem em psicoterapia, ele nos fornece um paradigma poderoso de comunicação e duplicação da excelência humana e resolução de conflitos, podendo ser aplicado em diversas áreas, tais como: Psicoterapia, educação, relacionamentos humanos, vendas, negócios ou qualquer espaço onde haja interação humana.

Para uma compreensão de como a PNL se relaciona com a Gestalt-Terapia e a Teoria Geral dos sistemas, torna-se necessário recorrermos à história.

No início da década de 1970, Richard Bandler , futuro criador da PNL, estava concluíndo o curso de matemática na Universidade da Califórnia e passava muitas horas estudando computação. Por influência de um amigo da família e interesse próprio ele passou a cursar psicologia na mesma universidade. Pouco tempo depois teve contato com o psiquiatra alemão Fritz S. Pearls, o criador da Gestalt Terapia. Após observar o comportamento de Pearls, Bandler começou a organizar grupos de terapia utilizando o que tinha aprendido. O futuro criador da PNL achava que a mente humana seguia padrões semelhantes aos da matemática, partindo desse pressuposto copiou os padrões comportamentais que Pearls utilizava durante o processo de psicoterapia, e o que parecia impossível aconteceu. Bandler estava conseguindo resultados tão bons quanto os de Pearls. Como estava obtendo sucesso, chamou atenção dos diretores da universidade que só o permitiram continuar seus trabalhos dentro da faculdade, acompanhado de um professor. Aí surgiu Jonh Grinder, o co-criador da PNL, que era professor adjunto de lingüística naquela instituição. Grinder havia trabalhado no serviço secreto das forças armadas dos Estados Unidos, ele tinha facilidade em aprender novas línguas e imitar o comportamento de uma pessoa observando-a por pouco tempo. Seu interesse no trabalho com Bandler era entender como a linguagem influenciava o comportamento humano e ao unir-se a Bandler conseguiu identificar os padrões que este havia copiado de Fritz Pearls. Eles chamaram esta nova habilidade de modelagem da excelência humana e este foi o passo inicial para a criação da PNL.

Nos anos seguintes Bandler e Grinder modelaram outros magos da psicoterapia, pessoas com a incrível capacidade de ajudar pessoas a modificarem alguns comportamentos em poucas sessões. Uma dessas pessoas foi a terapeuta de famílias, Virginia Satir, os dois conseguiram identificar os padrões de pensamento que a faziam ser tão eficiente. Outro terapeuta modelado por Bandler e Grinder foi Milton Erickson, o criador da hipnose moderna. Erickson foi apresentado aos dois por Gregory Bateson, um dos estudiosos do pensamento sistêmico e que já era amigo deles nessa época. Bateson os apresentou a Milton Erickson após observar os resultados da modelagem, sua intenção com o encontro era desvendar o modelo de terapia utilizado por Erickson já que ninguém tinha a mínima idéia de como funcionava.

Milton Erickson era capaz de induzir um transe profundo durante uma conversa aparentemente normal e era famoso por seu trabalho eficiente e rápido ao lidar com vários tipos de patologia, desde neurose de angústia até psicoses.

Bandler e Grinder encontraram-se com Erickson e conseguiram identificar e descrever processualmente o formato de algumas de suas intervenções ao qual denominaram de Modelo Erickson. As descrições desse trabalho foram transformadas em dois livros: Patterns of Hypnotic Techniques of Milton H. Erickson vol. I e II.

Ao unirem os padrões de atuação desses três magos da terapia, Bandler e Grinder deram um salto quantitativo e qualitativo na evolução da psicoterapia, agora eles sabiam como fazer e explicar a "mágica" que estavam fazendo, o que não era possível aos terapeutas estudados, já que os terapeutas estudados faziam faziam seu trabalho maravilhosamente, mas não conseguiam explicar como faziam pois procediam de maneira inconsciente.

Ao conjunto de suas descobertas e os padrões adquiridos dos grandes mestres deram o nome de Programação Neurolingüística. Nos anos seguintes foram desenvolvidas diversas técnicas baseadas nas idéias que os dois tinham observado na prática de outros terapeutas ou haviam criado a partir de seus estudos, isto nos conduz a outro ponto importante; o caráter gerador desse modelo de mundo, que está livre para desenvolver-se cada vez mais, tomando como ponto inicial a descoberta ou desenvolvimento anterior.

 

 

PRESSUPOSTOS BÁSICOS DA Programação Neurolingüística

1- O mapa não é o território.

Nossos mapas mentais do mundo não são o mundo. Reagimos aos nossos mapas em vez de reagir diretamente ao mundo. Mapas mentais, especialmente sensações e interpretações, podem ser atualizados com mais facilidade do que se pode mudar o mundo.

2- As experiências possuem uma estrutura.

Nossos pensamentos e recordações possuem um padrão. Quando muda-mos este padrão ou estrutura, nossa experiência muda automaticamente. Podemos neutralizar lembranças desagradáveis e enriquecer outras que nos serão úteis.

3- Se uma pessoa é capaz de fazer algo, todos podem aprender a fazê-lo também.

Podemos aprender como é o mapa mental de um grande realizador e fazê-lo nosso. Muita gente pensa que certas coisas são impossíveis, sem nunca ter se disposto a fazê-las. Faça de conta que tudo é possível. Se existir um limite físico ou ambiental, o mundo da experiência vai lhe mostrar isso.

4- Corpo e mente são partes do mesmo sistema.

Nossos pensamentos afetam instantaneamente nossa tensão muscular, respiração e sensações. Estes, por sua vez, afetam nossos pensamentos. Quando aprendemos a mudar um deles, aprendemos a mudar o outro.

5- As pessoas já possuem todos os recursos de que necessitam.

Imagens mentais, vozes interiores, sensações e sentimentos são os blocos básicos de construção de todos os nossos recursos mentais e físicos. Podemos usá-los para construir qualquer pensamento, sentimento ou habilidade que desejarmos, colocando-os depois nas nossas vidas onde quisermos ou mais precisarmos.

6- É impossível NÃO se comunicar.

Estamos sempre nos comunicando, pelo menos não- verbalmente, e as palavras são quase sempre a parte menos importante. Um suspiro, sorriso ou olhar são formas de comunicação. Até nossos pensamentos são formas de nos comunicarmos conosco, e eles se revelam aos outros pelos nossos olhos, tons de voz, atitudes e movimentos corporais.

7- O significado da sua comunicação é a reação que você obtém.

Os outros recebem o que dizemos e fazemos através dos seus mapas mentais do mundo. Quando alguém ouve algo diferente do que tivemos a intenção de dizer, esta é a nossa chance de observarmos que comunicação é o que se recebe. Observar como a nossa comunicação é recebida nos permite ajustá-la, para que da próxima vez ela possa ser mais clara.

8- Por trás de todo comportamento há uma função positiva.

Todos os comportamentos nocivos, prejudiciais ou mesmo impensados tiveram um propósito positivo originalmente. Gritar para ser reconhecido. Agredir para se defender. Esconder-se para se sentir mais seguro. Em vez de tolerar ou condenar essas ações, podemos separá-las da intenção positiva daquela pessoa para que seja possível acrescentar novas opções mais atualizadas e positivas a fim de satisfazer a mesma intenção.

9- As pessoas sempre fazem a melhor escolha disponível para elas.

Cada um de nós tem a sua própria e única história. Através dela aprende-mos o que querer e como querer, o que valorizar, e como valorizar, o que aprender e como aprender. Esta é a nossa experiência. A partir dela, devemos fazer todas as nossas opções, isto é, até que outras novas e melhores sejam acrescentadas.

10- Se o que você está fazendo não está funcionando, faça outra coisa.

Faça qualquer coisa. Se você sempre faz o que sempre fez, você sempre conseguirá o que sempre conseguiu. Se você quer algo novo, faça algo novo, especialmente quando existem tantas alternativas. Quebre a rigidez comportamental.

 

Após esta leitura tornam-se mais nítidas as influências e a utilização de um modelo de mundo proposto pelas teorias Existenciais-Fenomenológicas e Teoria Sistêmica. Há um ímpeto em descobrir e utilizar meios para vencer limitações, que muitas vezes só existem em nossas mentes, há o respeito pelo ser humano, que fica claro nas técnicas utilizadas, onde o que se busca é uma integração de todas nossas partes a fim de que trabalhem juntas para nos conduzir aos nossos maiores objetivos de forma congruente e ecológica; Na visão da PNL, já temos todos os recursos de que precisamos para vencer alguma limitação ou melhorarmos nossa qualidade de vida, só é preciso organizar esses recursos, levá-los para os contextos adequados.

Bandler e Grinder conseguiam observar as mudanças observando nuances não verbais no comportamento dos indivíduos com os quais trabalhavam, uma vez que haviam treinado seu aparato sensorial para perceber mudanças muito sutis na respiração, cor da pele, posturas corporais, o que lhes permitia saber se haviam ocorrido mudanças. Bandler e Grinder preferiram demonstrar suas descobertas através de workshops vivenciais, à maneira de Pearls.

O trabalho da PNL é baseado em vários pressupostos, assim como na Gestalt-Terapia, o aqui e agora é que realmente importa quando se lida com alguma "limitação " humana, se precisarmos transformar um passado traumático, isto só poderá acontecer no momento presente, ao entrarmos em contato com recursos que já contamos internamente. Para a PNL a causa dos distúrbios neuróticos é a falta de escolhas inconscientes no repertório comportamental de um indivíduo, isto significa que, se uma pessoa tem apenas um modo de lidar com determinada situação ela apresentará o que é classificado como neurose. No entanto esta mesma pessoa só tem esta opção para lidar com a situação e melhor ter uma maneira do que nenhuma.

O trabalho da PNL se propõe a aumentar as escolhas comportamentais das pessoas, ao contrário das técnicas utilizadas pela teoria comportamental como por exemplo, a dessensibilização sistemática, que irá apenas trocar a reação cinestésica que a pessoa apresenta, por outra, as técnicas da PNL irão proporcionar um aumento no repertório de modos de agir diante de uma situação que antes era limitadora, a pessoa terá escolhas, poderá agir como antes ou assumir uma nova postura diante do problema, e já foi observado que estas pessoas escolheram, à nível inconsciente ( para a PNL está inconsciente todo o material que está fora do nosso campo de percepção ou que não é importante ou necessário termos consciência) a melhor dentre as que possuem.

Para a PNL um sintoma é uma forma de manter a integridade do indivíduo, esta noção se adapta à anterior, de escolhas e ao pressuposto de que nossa personalidade é formada por várias partes inconscientes, sendo, cada uma delas responsável por uma experiência de nossas vidas, e tentando nos oferecer o melhor, no entanto muitas pessoas não compreendem que um sintoma também é uma mensagem e lutam contra este, quando deveriam se unir a esta parte que está organizando o sintoma e descobrir qual sua função positiva. É exatamente isto que a PNL faz, aceita a limitação como um sinal indicando a necessidade de uma mudança e descobre a função positiva da parte a fim de satisfazê-la de uma maneira mais apropriada, reconhecendo a mensagem e modificando o que for preciso para dar conta do sintoma de uma forma responsável e respeitável. Grande parte desses padrões foi modelado dos grandes terapeutas já citados, o que os criadores da PNL fizeram inicialmente foi apenas utilizar o que realmente funcionava e depois puderam explicar por que funcionava.

 

 

MODALIDADES REPRESENTACIONAIS

Já pensou o que é realmente pensar? É simplesmente a criação ou recordação de imagens, sons ou sensações internamente. Todos nós percebemos o mundo através de nossos cinco sentidos, visão, audição, tato, paladar e olfato. Os estímulos externos vão para o nosso sistema neurológico e no cérebro encontram um significado de acordo com nossos filtros perceptuais ( crenças, valores, regras). Na realidade não existe realidade, o significado que damos a um evento é que vai determinar nossa realidade. Uma metáfora muito utilizada em PNL para explicar este conceito é a de que o mapa não é o território que ele indica, um mapa pode muito bem indicar onde se localiza certa rua, mas compreendemos que esse mapa não é a rua e sim uma representação gráfica desta ou uma partitura musical, que representa visualmente uma música. Da mesma forma criamos mapas mentais para compreender a realidade e conviver naturalmente na sociedade. Um psicótico não tem esse mapa da realidade formado de acordo com o padrão social exigido para conviver socialmente. Da mesma forma, uma pessoa que segue rigidamente os padrões normativos ou vive de acordo com as regras e valores de pessoas importantes, podem tornar-se neuróticos.

Como não sabemos realmente o que acontece na realidade, agimos baseados em nossos mapas mentais, e isto pode causar confusão. Podemos alucinar que uma pessoa está em algum estado, como por exemplo, deprimida, apenas olhando para ela; que a pessoa amada está nos traindo, simplesmente porque temos imagens vívidas de cenas de traição, que foram criadas por nós mesmos.

Em seus estudos Bandler e Grinder notaram um fato interessante. Por enquanto, observe o conteúdo das frases a seguir: Ontem na universidade um amigo me falou que eu terei um futuro brilhante, o outro disse que teve um branco na prova; outro aluno no corredor falou que esses conceitos da PNL lhe soam muito bem, um colega dele disse que este diálogo lhe parece harmonioso; ao chegar no trabalho uma colega me falou que gostou do primeiro contato que teve com esta nova abordagem de desenvolvimento humano e como estas informações eram quentes e os conceitos pareciam ser sólidos.

Notou alguma coisa merecedora de atenção nesse breve comentário? Se não notou leia novamente e perceba as palavras utilizadas para descrever as experiências pelas diversas pessoas envolvidas na estória. Os primeiros utilizaram predicados visuais; os segundos, auditivos e os terceiros, predicados cinestésicos.

Percebemos e representamos internamente a realidade através das três modalidades representacionais: Visual, auditiva e cinestésica, que envolve o tato, gustação e o paladar.

Cada um de nós tem uma modalidade preferida para perceber e organizar esta percepção internamente. Pergunte a versão para um evento qualquer para várias pessoas e observe que predicados elas utilizaram para descrever o mesmo acontecimento. Cada um dará uma versão para o mesmo fato baseado em seu sistema representacional predileto, isto é, ao que, ouviu, viu ou sentiu.

Imagine uma situação de prova. Um aluno pode se sentir indisposto, algo pode dizer a outro que ele não se sairá bem naquela avaliação enquanto um terceiro aluno poderá se ver obtendo sucesso na prova. Podemos identificar a modalidade preferida de uma pessoa de várias maneiras, seu modo de falar é uma delas. Como foi exemplificado acima, todas as pessoas falam, literalmente, o que passa em suas cabeças, só precisamos prestar atenção a este processo natural para percebê-lo.

Outra forma de identificação é através da fisiologia. Os visuais falam alto e rapidamente, pois tentam acompanhar com a fala as imagens internas que estão criando, sua respiração é rápido e na parte superior do peito, gesticulam à altura da cabeça, apontam freqüentemente para os olhos ou em direção a algo que mostram. As pessoas que pensam em termos auditivos respiram de maneira mais uniforme, utilizando todo o peito, a tonalidade de voz é mais nítida, expressiva e ressonante, geralmente estão cantarolando alguma coisa e usam recursos sonoros em uma conversa para explicar melhor o assunto. O cinestésico é aquele cidadão... que fala lentamente... pois ele precisa sentir internamente... aquilo que quer expressar. Sua respiração é profunda e mais localizada na área do estômago e sua cabeça pende para baixo. A categoria cinestésica também está ligada ao movimento corporal, então iremos encontrar muitos atletas, dançarinos nessa categoria. Também podemos identificar a modalidade preferida de alguém pelo tipo de profissão escolhida por ela, imagine que tipo de profissão escolheria um indivíduo orientado visualmente, outro auditivamente ou outro orientado por sensações.

Podemos perceber que sistema representacional uma pessoa utiliza ao se comunicar observando para onde seus olhos se movimentam. No ano de 1977, Robert Dilts, um famoso autor, criador e consultor em PNL, recebeu um prêmio por sua pesquisa sobre os movimentos oculares e a função cerebral, realizada no instituto de neupsiquiatria Langley Porter na cidade de São Francisco. Esta pesquisa comprovou cientificamente o que Bandler e Grinder já haviam observado empiricamente. Quando processamos informações internamente nossos olhos se movimentam em diversas direções. Pesquisas mais recentes revelaram que para cada tipo de informação o sangue irriga diferentes áreas do cérebro. A partir de observação empirica, Bandler e Grinder formularam um mapa que funciona para quase cem por cento das pessoas. para aquelas que não se enquadram nesse mapa podemos fazer algumas perguntas e criar seu próprio mapa, pois o processamento interno de informações segue um padrão.

Quando olhamos para cima à esquerda estamos recordando imagens, à direita e a cima, criamos imagens; ao olharmos lateralmente à esquerda criamos sons, e à direita lembramos de sons; olhando para baixo à direita temos acesso à cinestesia e quando colocamos os olhos à esquerda abaixo fazemos um diálogo interno, isto é , conversamos conosco.

Conhecer modalidades representacionais nos possibilita maior flexibilidade ao nos comunicarmos externa e internamente. Imagine uma sala de aula de matemática onde toda vez que um aluno olha para cima o professor o repreende e manda-o olhar para o caderno. A pobre criança nem sabe que estava olhando para cima , pelo menos até o professor lhe advertir, e este começa a alucinar, utilizar seu mapa limitado de mundo para achar que o aluno estava distraído. Este aluno estava utilizando o processo natural que se deve usar para resolver uma questão de matemática: o sistema visual. Imagine outra situação, o marido chega em casa com um bouquet de flores e sua mulher não lhe dá o agradecimento esperado e lhe faz uma cobrança: Você não diz mais que me ama... e assim começa o fim de mais um casamento. Observe outra situação: O marido chega em casa e reclama logo da bagunça, a esposa tenta lhe abraçar mas ele se afasta, então ela reclama que ele não lhe dá mais atenção, não lhe beija mais. Mais um casamento prestes a acabar? talvez. Se você estava atento à estória deve ter notado que no primeiro caso o marido era visual, enquanto a esposa, era auditiva. Enquanto ele lhe mostrava o quanto gostava dela ela não ouvia nada de romântico. No segundo caso o marido, como um bom visual, se aborrece com a desorganização do ambiente, prefere observar a situação à distância. Sua esposa é cinestésica, o importa para ela é o conforto, por isso não se importa com a bagunça e quer apenas sentir o marido em seus braços. Virginia Satir sabia, inconscientemente, disso e utilizava ancoragem para fazê-los lembrar de quanto se gostavam no início da relação e depois dava instruções visando reorganizar a comunicação do casal.

 

 

SUBMODALIDADES

As submodalidades são os menores blocos da experiência sensorial, são os ingredientes com os quais estruturamos nossas experiências internamente. Ao lembrarmos ou criarmos qualquer experiência em nossa vida, temos acesso à imagens, sons e sensações internas. Se você prestar atenção a estes processos e compará-los, notará que eles exibem um padrão de organização. As imagens poderam variar quanto ao tamanho, luminosidade, cor, brilho, associação ( ver o evento com os próprios olhos ), dissociação ( se ver passando pelo evento ). Os sons podem variar quanto à altura, timbre, localização, tom, etc. As sensações poderão variar características tais como localização, intensidade, peso, pressão, extensão, textura,etc. Muitas técnicas de PNL ( por exemplo: padrão swish, explosão de compulsão, linhas temporais ) foram criadas a partir da descoberta das submodalidades e na capacidade de modificá-las. Este processo de sistemas representacionais foi identificado no trabalho de Pearls, Satir e Erickson.

 

ANCORAGEM

O processo de ancoragem acontece a todo instante, sem que tenhamos consciência dele. Trata-se de um processo neurológico incrível que torna permanente uma experiência e nos permite acessá-la a qualquer momento. O termo ancoragem é da PNL, mas a técnica é o velho condicionamento respondente, ou reflexo, observado e estudado por Ivan P. Pavlov. Lembra-se daquele pobre cão que salivava muito ao ouvir o som de uma campainha? Pois é, o processo é o mesmo, ao fazer uma associação entre um estímulo neutro ( um som ) com um estímulo condicionado, o primeiro passa a eliciar a mesma resposta.

A todo momento estamos sendo submetidos a algum tipo de ancoragem. você lembra de alguma vez em que sentiu o cheiro de um perfume ou ouviu uma música e instantaneamente lembrou de uma experiência de sua infância? Pense em alguém que você viu pela primeira vez e sentiu que aquela pessoa não era boa. Alguma vez já passou por certo local que lhe deixa com uma sensação desagradável?

O objetivo maior das empresas de publicidade é nos fazer associar o produto de seu cliente a alguma coisa que gostamos ou respeitamos. Por que colocar Xuxa ou Michael Jackson para serem garotos propaganda? Por que será que hollywood é o sucesso? Pelo menos para o câncer o sucesso é possivelmente alcançado. As propagandas nos colocam em determinado estado através de imagens ou sons e então mostram o nome do produto ou empresa, estabelecendo dessa forma um vínculo entre os dois. Exemplos extremos desse processo são as propagandas que mostram cenas de ação e as propagandas da MTV.

Você lembra de uma ocasião em que obteve ligação profunda com uma experiência e que lhe fez ficar alegre, disposto, saudável, de posse de um senso enorme de critividade enquanto lia um texto como este? Cuidado, você pode estar lhe ancorando agora!

As fobias são um caso interessante de ancoragem, são o lado desagradável deste processo, o lado bom é que podem ser eliminadas facilmente. Uma fobia é uma apredizagem feita de maneira tão rápida, poderosa e eficiente que mesmo após anos a pessoa ainda reage da mesma maneira mesmo sabendo conscientemente que a situação não representa grande perigo. alguns professores deveriam ser ensinados a fazê-la com seus alunos afim de tornar permanente o conteúdo apresentado.

Jonh Seymour dá um exemplo interessante de fobia no livro introdução à programação neurolingüística, ele fala do fenômeno conhecido por amor à primeira vista, quando uma pessoa se apaixona por outra sem nem mesmo conhecê-la bem e passam-se meses com a situação da mesma maneira. A maioria dos casamentos acaba quando o casal faz uma cura rápida de fobia com sua relação, isto é, não tem a mesma reação de amor, compreensão ou qualquer outra palavra que seja.

A ancoragem é usada na terapia, isoladamente ou combinada com outras técnicas, para estabelecer estados de recursos ( motivação, criatividade, relaxamento, etc. ) e eliminação de alergias, fobias, traumas.

 

 

LINGUAGEM

A PNL trata de como influenciamos a nós mesmos e aos outros através da linguagem. As palavras são âncoras para a experiência, para entendermos o significado das palavras que uma pessoa nos diz, temos que compartilhar de experiências parecidas das suas. Já que não sabemos ao certo o que é a realidade, criamos códigos para descrevê-la e compartilhar da realidade em comum com outras pessoas. Se eu chegasse para você e começasse a falar sobre PNL, sem que você tivesse nenhuma experiência anterior para comparar com ela, provavelmente não entenderia nada da minha conversa. Os esquimós, por exemplo, tem mais de 40 palavras para descrever a neve, para eles trata-se de uma questão de sobrevivência.

Há um dado importante sobre a linguagem. Em uma pesquisa realizada por Alfred Mehrabian ( Mehrabian e Ferris, 1967 ) foi constatado que a linguagem verbal representa apenas 7% da comunicação total, enquanto que a linguagem corporal e a tonalidade da voz, o modo como falamos, representa ou outros 93% da comunicação. Então o mais importante é modo como se diz alguma mensagem e não seu conteúdo.

Os padrões hipnóticos desenvolvidos por Milton Erickson utilizavam uma linguagem complexa ou vaga para induzir transes profundos. Através da tonalidade de voz, Erickson dava sugestões no meio das frases ( comandos embutidos ) ou ancorava estados. Através da linguagem verbal ele confundia a mente consciente com frases do tipo: se imagine no futuro obervando como se saiu em uma ocasião pela qual ainda não passou. Dessa forma Erickson nocauteava a mente consciente, que só tem capacidade de entender até 9 partes de experiência de cada vez, e através de comandos embutidos enviava sugestões diversas para a mente inconsciente.

Um padrão de linguagem muito importante é a ordem negativa, que trata-se de uma maneira de afirmar algo, através de sua negação. Quando lhe digo: não pense em uma laranja amarela, você consegue não pensar? O cérebro humano não processa frases negativas, então ele tem que pensar no que não é para pensar, de outro modo como irá saber em que não pensar? Entendeu? Isto significa que quando você manda alguém não fazer algo, ela tem que primeiro saber o que não é para não fazer e aí já é tarde demais, por isso se algum dia encontrar alguém que esteja querendo saltar de um prédio sem pára-quedas diga-lhe para descer dali e nunca mande-o ter cuidado para não cair.

Baseadas neste princípio, as técnicas de PNL utilizam os dois tipos de forma, dependendo do tipo de resultado que deseja obter. Em um processo terapêutico eu posso dizer ao cliente: não quero que você fique pensando que é para relaxar agora e perceber como tudo será melhor a partir de então, não pense que tenho esta intenção.

Ao termos consciência da estrutura da ordem negativa, podemos utilizá-la da forma que se adapte melhor às nossas necessidades tanto na comunicação externa quanto interna. O importante é pedir sempre o que você quer, seja na forma positiva ou negativa. Prefira dizer, preste atenção ao texto ou, não vou pedir que preste atenção ao texto, do que: não olhe para os lados enquanto lê.

Há alguns pressupostos básicos em PNL, Um deles é que para cada experiên-cia de nossas vidas há uma parte inconsciente responsável por sua atividade e que todos os comportamentos tem uma função,uma intenção positiva que está nos ajudando em algum contexto, só que nós não entendemos ou encontramos essa função.

Por que você está na faculdade? No emprego? Você provavelmente saberá responder, isto é, encontrar a intenção positiva por trás desses comportamentos. Por outro lado, por que será que muitas pessoas fumam, comem ou bebem em excesso? Desenvolvem doenças psicossomáticas?

Partindo dos pressupostos descritos acima podemos concluir que a parte responsável por estes comportamentos tem uma intenção positiva que não está de acordo com o que consideramos positivo.

O próximo passo a observamos é que se uma pessoa se comporta de uma maneira que não gosta ou só consegue obter certos estados ( segurança, saúde, etc. ) isso acontece por que a parte que controla esses comportamentos só tem um modo de agir diante dessas situações. O objetivo principal das técnicas de PNL é ajudar essas partes a desenvolverem várias escolhas para agir diante de uma situação. Segundo Richard Bandler: se só temos um modo de agir diante de uma situação somos como um robô; se temos duas escolhas estamos em conflito. já aconteceu de você estar estudando e de repente surge aquela voz lhe dizendo para ir fazer qualquer outra coisa? Este é um exemplo de um conflito leve; e finalmente, se temos, no minímo três escolhas, experimentamos a flexibilidade. Podemos escolher como agir e provavelmente escolheremos a melhor opção. Daí, se uma pessoa consegue se sentir relaxada lendo um livro ou ouvindo uma música, fumar um cigarro será uma uma questão de escolha. Muitos dos distúrbios psicológicos são resultado da inflexibilidade.

A PNL deve à sua eficiência o fato de não ser tão conhecidada quanto deveria. Parece uma contradição, mas é fácil entender o por quê. Como sempre acontece, as descobertas importantes são conhecidas e utilizadas primeiro por políticos, forças armadas e empresários. Isto ocorreu com a PNL, no final da década de 70, Bandler e Grinder começaram a dar treinamento para o serviço secreto, forças armadas dos Estados Unidos e para grupos restritos de terapeutas e empresários. Apesar de verem a mágica descoberta pelos dois, muitos profissionais não se permitiam acreditar nos resultados tão rápidos e eficientes, pois em seus modelos de mundo só havia espaço para um processo terapêutico ser eficiente, ele tinha que durar pelo menos uns cinco anos.

Hoje em dia o panorama mudou um pouco. A PNL ainda continua desconhecida, pelo menos por grande parte da população, os treinamentos ainda são caros, considerando nossa realidade econômica, porém baratos levando em conta o custo-benefício. As técnicas de PNL são utilizadas por vários terapeutas e empresas, tais como: IBM, Shell, apple, AT&T, Mercedes Benz, Warner communications, além de outras instituições como F.B.I.,C.I.A. exército dos Estados Unidos.

 

 

CONCLUSÃO

Com este trabalho, espero ter contribuído para esclarecimento de algumas teorias e modelos que fundamentaram a percepção de mundo adotado pela Programação Neurolingüística, uma vez que, pela abrangência de seus métodos, é utilizada por profissionais de diversas áreas e, alguns, utilizam apenas as técnicas de forma fria, dissociada de um contexto que torne claro a visão de mundo de qual se utiliza a PNL para fundamentar seus pressupostos e técnicas. Muitas vezes, seminários ou palestras apresentadas por pessoas que ainda não compreendem a essência da PNL, podem mostrar esta disciplina como um grupo de técnicas utilizadas para manipular pessoas, quando na realidade existe esta função, mas há muito mais que isso a ser explorado ao longo do caminho do desenvolvimento humano.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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RIBEIRO,J.P.- Gestalt-Terapia, Refazendo o caminho.

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SEYMOUR, Jonh & O`CONNOR, Joseph- Introdução à Programação Neurolingüística:

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